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  • cinthia/alireti

...a música de concerto como precursora das "VRs"...



Acho importante pensar neste aspecto "projetor" da música de concerto, como um gerador de ilusões, expectativas e narrativas, que são experimentadas a partir da realidade de cada ouvinte. Realidade? Bom, real já é, por natureza, virtual. Conceitos como AR e VR, emprestados do universo tecnológico, podem nos ajudar a pensar sobre essa relação do que vemos e do que vemos enquanto estamos escutando música... completamente diferente. Popularmente conhecido como o pai do conceito de realidade virtual (a VR) – e também como um grande dramaturgo, louco, anarquista, etc e etc, do teatro do século XX – Antonin Artaud compara o teatro com as realidades virtuais, quando escreve, em 1938, sobre o potencial ilusório dessa arte (em Le Théâtre et son Double). Seguindo o ponto de vista de Artaud, acredito que a música de concerto seja um produto de ferramentas que criam ilusões ainda mais REAIS do que as realidades virtuais artificialmente criadas pelo teatro. Como? Simplesmente pelo fato de que os sons criam, antes de tudo, uma SENSAÇÃO cênica, uma sensação de espaço e tempo, onde o ouvinte é convidado a mergulhar.


Este é um bom momento para olhar para os fatores psicológicos envolvidos em experiências VR tecnológicas, comparadas com as VRs do universo musical. Credibilidade, interatividade, capacidade de exploração e, por último, imersão, são os fatores que garantem que o participante acredite que a sua experiência seja real. Durante uma visita virtual a uma igreja, por exemplo, o participante precisa reconhecer a cruz, a sacristia, criar seu percurso entre os bancos, para estar "imerso" naquela visita. Em "realidade aumentada" (AR), existe uma interação entre o real e o virtual, ou seja, um ELEMENTO VIRTUAL é inserido em um CONTEXTO REAL. Por exemplo, quando aponto a câmera do meu celular para uma árvore, usando um app "x", vejo uma árvore real, com desenhos de pássaros voando em torno dela. Mas quando pensamos em AR na música de concerto, notamos justamente o contrário: um ELEMENTO REAL vai se apresentar dentro de um cenário SONORO VIRTUAL. É como se descobríssemos um "objeto de cena" na música, um "prop", que vai nos reconectar com a realidade de fora dela, que pode ser um relógio, um sino, um apito, um passarinho.. Enfim, só uma maneira de pensar...



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